O super coco

Na Cozinha

O coco é das frutas que quando estamos na praia do Tarrafal e as senhoras nos apresentam um coco fresquinho quase nunca conseguimos dizer que não. Abrem uma suposta cabeça, metemos a palhinha e lançamos de boca mesmo sem conhecer o interior porque nunca duvidamos que vai ser bom.

A água de coco parece mesmo uma magia da natureza, algo que sugamos do fundo da terra em forma de bola e nos refresca o corpo e alimenta a alma numa sintonia perfeita com a natureza.

Quando estive grávida tive asias durante os três primeiros meses e a única bebida que conseguia acalmar essa revolução interna era água de coco e a carne do mesmo, por isso, comia sempre e chegava a comprar sacos enormes cheios de coco que nem conseguia carregar. Chegaram a perguntar se eu ia parir um coco.

Cheguei a temer que essa comilança de coco me pudesse provocar distúrbios intestinais, mas nunca aconteceu. A verdade é que a sintonia que sentia ao beber o coco era maravilhosa, encaixava no meu corpo e deixava-me aliviada e feliz.

Sempre fui fã de tudo o que é feito com coco e utilizo todos os derivados desta fruta maravilhosa e quanto mais pesquiso sobre este alimento mais me sinto alinhada com o mesmo.

Falando mais das suas propriedades e benefícios o que já se sabe é que o coco é um isotónico e um hidratante natural. O coco consumido no seu todo presenteia-nos com potássio, vitaminas C e do complexo B, magnésio, cálcio, fósforo, ferro, proteínas, fibras e gorduras.  

O coco além de ajudar a melhorar o trânsito intestinal ajuda também a fortalecer o sistema imunitário e por conter ácido láurico (principalmente o óleo) ajuda a eliminar bactérias, vírus e fungos nocivos sem afetar a microbiota intestinal.

Um dos sintomas do Doença de Crohn é o cansaço e o coco por conter magnésio e potássio ajuda a combater o cansaço e a fadiga atuando como um relaxante muscular.

Além da água, da polpa ou do leite de coco, o coco ainda nos fornece o açúcar de coco (com baixo índice glicémico) que, por curiosidade, vem da seiva da flor e não do fruto, e o óleo de coco. O óleo de coco é cada vez mais apreciado sendo que nem todas as evidências científicas estão comprovadas, mas como tudo na vida há que ter equilíbrio e moderação já que há uma panóplia de bons alimentos que devemos incluir na nossa dieta e aumentar a sua diversidade.

A gordura do óleo de coco já foi considerada pouco saudável mas evidências científicas têm quebrado alguns mitos em relação ao mesmo. Composto por 90% de ácidos graxos indicam que estas gorduras são inofensivas e metabolizados de forma diferente pelo organismo. Inclusivamente foram realizados estudos em populações que têm como base da alimentação o coco e o seu óleo: os Tokelauans e os Kitavans, ambos no oceano pacífico, em que praticamente não encontraram evidências de doenças cardíacas nestas populações e, inclusivamente, é indicado para queima de gordura e emagrecimento.

Há pesquisas indicam que o óleo de coco ajuda na prevenção de doenças autoimunes e é utilizado, inclusive, no tratamento em pacientes com HIV, impedindo a manifestação da doença. Na doença de Crohn por ser um anti-inflamatório natural ajuda melhorar o trato gastrointestinal e, já existem pesquisas, que apontam para o efeito calmante que pode ter na inflamação do intestino.

O óleo de coco também é um aliado do cérebro e ajuda a melhorar as funções cognitivas e a memória. Curiosamente o óleo de coco é composto por ácido láurico (imunomodulador) e 14% da gordura do leite materno tem a mesma composição. Aliás os ácidos contidos no óleo de coco são recomendados nas dietas infantis, sendo por vezes, incorporadas em fórmulas infantis.

Existem indicações que também auxilia na perda da gordura abdominal e do peso. Se bem que não sou a favor do consumo de nenhum alimento olhando apenas para o controlo de peso. É importante alimentarmo-nos com base nos nutrientes e nos benefícios que os mesmos trazem para a nossa saúde, se ajudar a perder peso será um bónus.

Para os doentes de Crohn é regra é sempre a mesma, experimentar e verificar como se sente em relação ao alimento. Aqui só relato a minha experiência pessoal que tem sido muito positiva em relação ao consumo deste fruto. Consumo desde a fruta no seu estado natural, faço o meu próprio leite de coco, uso o óleo para fins culinários e o açúcar para adoçar alguns bolos.

Em Cabo Verde somos afortunados em termos este fruto no seu estado natural, por isso, a próxima vez de pegar num coco aprecia-o e agradeça por esta seiva maravilhosa que ele nos oferece.

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